Se você costuma acompanhar os assuntos do momento nas redes sociais, provavelmente já ouviu falar sobre a “cultura do cancelamento”, que consiste em deixar de apoiar alguém, em especial famosos, que tomaram atitudes consideradas erradas. Eleito como o termo do ano em 2019 pelo Dicionário Macquarie, o cancelamento teve início há alguns anos, inicialmente servindo como forma de alerta acerca de causas sociais. Porém, com o passar do tempo, a internet transformou a prática em uma espécie de tribunal – que nem sempre é justo.

Diversos famosos e influenciadores digitais já foram “cancelados” e se viram excluídos e rechaçados, muitas vezes sem direito à defesa. Isso vale para todo tipo de ação ou comentário considerados errados – desde atitudes mais graves como manifestações racistas, até as mais ingênuas, como piadas mal-interpretadas, nada escapa do radar das redes sociais. Bastam algumas horas para que um tweet viralize e milhares de pessoas se manifestem contra o responsável. 

O cancelamento pode ser temporário, mas é preciso que a pessoa cancelada se mostre arrependida e disposta a mudar suas atitudes e pensamentos para ser aceita novamente. Mesmo assim, em casos mais graves, é comum que o cancelado nunca mais volte a ter a mesma credibilidade de antes, sendo esquecido por antigos fãs e perdendo contratos com empresas que não querem ser associados à imagem do envolvido. 

Embora a prática seja usada como  forma de fazer justiça e conscientizar as pessoas de que certos comportamentos não são mais aceitáveis nos dias de hoje, a violência, mesmo que psicológica, não é a melhor resposta neste tipo de cenário, visto que a pessoa cancelada não receberá a mensagem e potencialmente pode surtir efeito reverso, subvertendo o propósito inicial. 

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Brenda Lopes

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